O eu e seu(s) outro(s)
- erickrizentalpsi
- 14 de mar.
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Atualizado: 17 de mar.
O estudo de Freud sobre as fantasias e as psicoses o levou a conceber, a partir do texto Introdução ao Narcisismo, que o ser humano nunca é unitário, mas que deve ser tomado como dividido em mais de um. De forma a coordenar suas vivências, desejos e ideais, o Eu cria diversas miragens de si, seja na relação com o próprio corpo, seja nas suas interações com os outros e com o mundo, até mesmo nos laços amorosos (em verdade, especialmente neste tipo de vínculo).
A estranheza que alguns neuróticos e a boa parte dos psicóticos transpassam em sua forma de estar no mundo, então, nos revela algo universal: há sempre um estranho conosco, há algo de nós que trazemos para fora, que "projetamos" inconscientemente, e que tomamos como a referência de quem somos.
Num tempo marcado pelo individualismo (literalmente, "sem divisão") e pelo encontro nas redes sociais através das gravações de áudio e imagens reproduzidas de modo instantâneo, o trabalho simbólico de nossa fantasia, capaz de criar diferentes bordas psíquicas, identificações e perspectivas sobre si, pode se perder em favor de um realismo sem sensibilidade – um Eu seduzido e preso à tentativa de corresponder aos ideais que vem da tela.

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